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O nissei Edy Sakita nasceu há 57 anos em Bastos, cidade do interior paulista que reúne a maior comunidade japonesa do país. Na infância, aprendeu as regras e os segredos de dois jogos de estratégia:  Go e Shogi. Os amigos da escola não conheciam os jogos japoneses e preferiram apresentar o xadrez a Edy. A partir daí, o jovem precisou de muita estratégia para dar um xeque-mate nas dificuldades que enfrentou ao se mudar para São Paulo em 1974. Hoje ele é dono de uma das poucas lojas do país especializada em jogos de estratégia. Ela fica no primeiro andar do Shopping Trade, na Liberdade.

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Edy Sakita em sua loja no bairro da Liberdade

Conseguiu emprego em um banco, no bairro Boa Vista, onde trabalhava das 7 horas da noite à 1 hora da manhã. Depois de cinco horas de sono, estava preparado para as aulas num curso pré-vestibular. “Meu salário dava para pagar o cursinho e a pensão no Baixo Glicério”, conta Edy, que dividia o quarto com outros três amigos. O esforço foi recompensado. Ele avançou no tabuleiro ao entrar no curso de Administração da PUC (Pontifícia Universidade Católica) de São Paulo. Casado desde 1979 com a pesquisadora científica Massako, ele é pai de duas mulheres e de um homem. Depois de exercer cargos executivos no Grupo Pão de Açúcar e no construtora Camargo Correa, Edy resolveu se dedicar aos jogos de estratégia.

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Peças de xadrez em madeira confeccionadas por Edy em sua marcenaria

Ele se especializou na arte da marchetaria. Montou uma marcenaria e passou a produzir peças e tabuleiros para jogos de Go, Shogi e Xadrez em madeira. “No início, meus filhos me ajudavam a lixar as peças de madeira”, lembra. “Foi um período financeiramente complicado, mas eu estava decidido a seguir com meu negócio”.  Ao longo dos últimos dez anos, calcula ter visitado  200 torneios de xadrez para vender seu material. “Aprendi como era a organização e a estrutura dos encontros”, conta Edy, que realiza seus próprios campeonatos de xadrez todos os finais de semana. No último dia 18, em plena Sexta-Feira Santa, ele reuniu 12 competidores – mas já fez torneios com 150 jogadores.

Edy não ganha dinheiro com os torneios. Ele paga as taxas de arbitragem e o que sobra (quando sobra) vai para a caridade. Ele vive mesmo das vendas de sua loja.  Além de peças, tabuleiros e relógios para xadrez, o artesão oferece livros, camisetas, chaveiros e mangás relacionados aos jogos de estratégia. “Pelo site, vendo para todo o Brasil”, explica. “São encomendas sempre grandes”. Ele só abre a loja aos sábados e domingos, das 10h às 18h.  Durante a semana, o atendimento precisa ser agendado pelo telefone.

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O artesão com o mangá “Hikaru No Go”, que significa “Brilhar a Luz no Jogo de Go”

Edy lamenta que o xadrez não seja ensinado e usado nas escolas como meio pedagógico.  Há seis anos, ele trabalha como voluntário em escolas municipais e estaduais de São Paulo. Além de promover os torneios escolares, dá curso de capacitação para os professores que desejam implantar o jogo de xadrez em suas escolas. “Não existe nenhum incentivo governamental”, afirma Edy. “O professor vem por conta própria. A educação transforma uma sociedade, ainda que a mudança demore 100 anos para ser notada”.

Jogos de estratégias, continua ele, são valorizados nos países que possuem os melhores índices de educação do mundo. “Go é o jogo favorito do Bill Gates, sabia?”, diz. Edy lembra que o filme Uma Mente Brilhante,lançado em 2001 e vencedor do Oscar de melhor filme no ano seguinte, é inspirado na vida do matemático John Nash. “Para autorizar o uso de sua imagem no filme, John só exigiu que o seu personagem aparecesse com um tabuleiro de Go em alguma cena”. A cena está na foto abaixo.

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O ator Russell Crowe (E) fez o papel de John Nash: o matemático exigiu uma cena com o tabuleiro de Go

Serviço

Rua Galvão Bueno, 17, Liberdade – Shopping Trade, 1º andar – loja 39
Tel. 99928-2496 / 36731029
www.conscienciadoxadrez.com.br
edysakita@yahoo.com.br